Supermercados: O crescimento do setor exige uma nova forma de fazer marketing

O varejo alimentar brasileiro fechou 2024 embalado por uma conjuntura macroeconômica favorável, que trouxe uma combinação rara: crescimento do consumo das famílias, recuperação do mercado de trabalho e aumento real da renda. É um momento estratégico para os supermercadistas que desejam acelerar sua expansão e consolidar marcas fortes no mercado.

Segundo dados do IBGE, o consumo das famílias brasileiras avançou 4,8% no acumulado de 2024, registrando o melhor desempenho desde 2011. Esse movimento foi sustentado pela queda da taxa de desemprego para 6,2% ao final do ano e pela elevação do rendimento médio real habitual dos trabalhadores para R$ 3.255,00. A massa salarial da população ocupada ultrapassou R$ 330 bilhões, o que reforça o poder de compra e amplia o mercado consumidor.

Esses fatores ajudaram a compensar o impacto de uma inflação mais alta no grupo de alimentos e bebidas, que fechou em 2024 com aumento de 7,69%, garantindo a manutenção da capacidade de consumo das famílias.

Esse cenário refletiu diretamente no desempenho do setor supermercadista. De acordo com a 48ª edição do Ranking ABRAS, o faturamento bruto do setor atingiu R$ 1,067 trilhão em 2024, o equivalente a 9,1% do PIB brasileiro. 

Em uma década, o faturamento mais que dobrou: em 2014, era de R$ 295 bilhões. O número de lojas também cresceu 2,3% no comparativo anual, totalizando 424.120 unidades espalhadas pelo país.

Por que o marketing é decisivo neste momento?

Esse ciclo positivo do setor cria oportunidades para quem está preparado. No entanto, o crescimento do consumo e da concorrência exige mais do que promoções agressivas e folhetos de ofertas. 

A nova dinâmica do varejo alimentar demanda estratégias de marketing capazes de atrair, engajar e fidelizar consumidores cada vez mais exigentes e conectados.

Investir em marketing para supermercados significa trabalhar em duas frentes essenciais. A primeira é para fortalecer a marca para além do preço, construindo uma reputação que gera confiança e preferência do consumidor. E, claro, a segunda é para ampliar a presença digital, com ações segmentadas que impactam o cliente dentro e fora do ponto de venda. 

Em um mercado que movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano, a diferença entre crescer e estagnar está na capacidade de transformar números macroeconômicos em estratégias locais, alinhadas ao comportamento do consumidor.

O momento é promissor, mas não perdoa amadores. É hora de os supermercadistas se posicionarem como protagonistas em suas regiões, utilizando o marketing como alavanca para potencializar resultados.

*Grégori Fagundes

Especialista em estratégias de marketing para o setor de alimentos e sócio da Food Smart.